Oficina literária do SESI-SP abre portas para novos autores

Após assistir a uma oficina sobre roteiro em quadrinhos, nasceu ‘A Menina que Libertou o Pássaro’, de B. Sousa. Em outubro, a obra ganhou repercussão após vídeo de reconhecimento por Mauricio de Sousa.

 Por: Barbara Contiero e Arlete Vasconcelos
16/12/201909:37- atualizado às 11:41 em 17/01/2020

Beatriz Sousa, autora de A Menina que Libertou o Pássaro, sob o pseudônimo de B. Sousa, conheceu Roberto Munhoz, roteirista da Mauricio de Sousa Produções, em 2014, em Itapetininga, cidade onde mora, no SESI-SP Mix Cultural: Conversas Criativas Sobre Literatura e Artes Visuais. Naquele ano, o projeto passou por quatro cidades do interior de São Paulo.

Durante a sua participação, em uma oficina que incluía workshop de roteiro em quadrinhos, B. Sousa mostrou o que seria um rascunho, ou a versão inicial de seu primeiro livro. Munhoz deu dicas e a incentivou a continuar trabalhando na obra. Alguns anos depois, em 2018, já na expectativa e toda emoção para a publicação, B. Sousa convidou o roteirista para escrever o prefácio do livro.

Foi um prazer conhecer melhor aquele universo lúdico e seus personagens fantásticos (sem me aprofundar muito para não soltar spoilers)”, escreveu Munhoz no prefácio, que completou escrevendo que foi uma honra participar de um momento marcante na vida de todo escritor.

 Em maio de 2019, B. Sousa publicou em seu Instagram a primeira capa de A Menina que Libertou o Pássaro. De acordo com a autora, ver seu nome em livros impressos era um sonho, um dia que ela esperava desde criança. Por suas palavras, “foi como nascer de novo”.

A publicação do livro para B. Sousa foi uma libertação, não somente da ave descrita na história, mas também da própria autora, que passou por períodos complicados, mas com auxílio de familiares, amigos e, claro, da literatura, superou as dificuldades.

“Sempre digo que ‘A Menina que Libertou o Pássaro’ é sobre o sentimento de se achar e de se aprofundar em si mesmo, um sentimento que não é só meu, mas de todos que estão em busca de se encontrar”, disse a autora sobre as motivações por trás da obra.

 

Quando a obra chegou nas mãos de Mauricio...

Hoje, com 22 anos, sempre recebeu o incentivo, desde muito nova, ao hábito da leitura por seus pais, que são professores. Entre contos e fábulas, B. Sousa lia gibis da Turma da Mônica.

“Lembro das tardes que eu ficava assistindo Cinegibi, lendo o ‘Almanacão de Férias’ ou visitando o Parque da Turma da Mônica, deslumbrada com aquele universo imenso e, sentindo-me tão próxima dos personagens”, B. Sousa diz em completa admiração.

Como fã do cartunista Mauricio de Sousa, o idealizador e responsável por todo o império da Turma da Mônica no entretenimento brasileiro, B. Sousa ganhou de presente o reconhecimento do ídolo. Em outubro deste ano, a autora recebeu um vídeo em que Mauricio a parabeniza pela publicação do livro, pouco antes de autografá-lo.

“A emoção foi muito grande. O meu livro chegou até ele como presente de aniversário, o próprio Roberto Munhoz que o entregou em mãos na MSP (Mauricio de Sousa Produções) ”, contou B. Sousa.

E esta não foi a primeira vez. “Aos oito anos cheguei a entregar o meu primeiro conto (imersivo no universo da Turma da Mônica) para o Mauricio, que leu com todo cuidado e ainda autografou”.

*Vídeo do Mauricio no Instagram da B.Sousa*

 

A Difusão da Literatura

Orgulhoso por seu trabalho ao lado da Difusão Literária do SESI-SP, Roberto Munhoz relatou que a história de Beatriz Sousa é um exemplo de toda oportunidade que a cultura promove.

“Grande parte dos participantes das oficinas que ministrei nas unidades do SESI/FIESP já possuem obras e personagens, em fase de desenvolvimento. Inscrevem-se para buscar informações que os ajudem a impulsionar essas criações. Outros começam a elaborar a partir dos exercícios realizados durante a oficina e logo surgem propostas muito criativas, surpreendentes e com grande potencial. Com a orientação adequada, empenho e tempo, muitos deles poderiam tentar a carreira artística se assim desejarem”.

Segundo a Analista de Cultura do SESI-SP, na área da Difusão Literária, Josilma Amato, em geral, quem se inscreve em uma oficina literária já tem inspiração, desconfia da aptidão e, com as técnicas, acaba descobrindo que o ‘talento’ não tem tanta importância, pois o que conta é a construção, o trabalho e retrabalho.

“As oficinas literárias dedicam-se a oferecer técnicas e dicas para aqueles que já gostam de escrever, mas, também para aqueles que se interessam pela literatura e que têm vergonha, ou acreditam que seus textos não são tão bons”, explica Amato.

Ao longo de 2019, a Difusão Literária SESI-SP realizou oficinas, contações de histórias, gincanas e feiras de troca de livros, das quais incentivaram o interesse pela leitura e escrita criativa, além da arte de recontar e recriar clássicos a partir da literatura contemporânea. Neste mesmo ano, dois novos projetos iniciaram: o Núcleo Literário SESI-SP e o Clube Literário SESI-SP.

“Ela (a literatura) é, com certeza, o sangue que bombeia a sociedade. Os homens das cavernas usavam o desenho para se comunicar e, depois, os sumérios cunhavam a escrita. Isso tudo é porque o homem sempre sentiu essa necessidade de se expressar e ser lido e visto. A literatura é fundamental para que isso aconteça. Os livros, dão ao leitor, inúmeras óticas para ele enxergar o mundo e compreendê-lo. ”, declarou B. Sousa.

Crédito: Beatriz Sousa

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